julho 18, 2011

- Discurso de formatura de uma aluna americana.

Existe uma história de um jovem, porém determinado estudante de Zen que se aproximou do seu professor, e perguntou ao Mestre, “Se eu trabalhasse muito duro e dedicamente, quanto tempo levaria para eu alcançar Zen?” O Mestre pensou e respondeu, “Dez anos”.
O estudante então disse: “Mas e se eu trabalhasse muito, muito duro e realmente me esforçasse para aprender rápido - levaria quanto tempo?” O Mestre respondeu, “Vinte anos”. “Mas eu não entendo”, disse o estudante desapontado. “Quanto mais duro eu digo que vou trabalhar, mais tempo você diz que vai levar. Por que diz isso?”
O Mestre respondeu, “Quando você tem um olho em uma meta, você tem um olho em um caminho.”
Esse é o dilema que eu vi no sistema educacional. Estamos tão focados em uma meta, seja ela passar um teste, ou se formar primeiro na turma. De qualquer forma, nós acabamos não aprendendo. Nós fazemos tudo que é preciso para alcançar o objetivo original. 
Alguns de vocês devem estar pensando, “Se você passa um teste, você não aprendeu alguma coisa?” Sim, você aprendeu alguma coisa, mas não tudo que você poderia ter aprendido. Aliás, você só aprendeu a decorar nomes, lugares, e datas que mais tarde você esquece para esvaziar sua mente para o próximo teste. A escola não é tudo que poderia ser. Nesse momento, é o lugar onde a maioria das pessoas determina que sua meta é sair daqui o mais rápido possível.
Agora eu estou alcançando essa meta. Eu estou me formando. Eu deveria olhar para isso como uma experiência positiva, especialmente por estar no topo da turma. Porém, eu não posso dizer que sou mais inteligente que meus colegas. Eu só posso dizer que eu sou a melhor em fazer o que me mandam fazer e em trabalhar para o sistema. Aqui estou eu, e eu deveria estar orgulhosa por ter completado meu período de doutrinação. Eu vou sair daqui para entrar em outra fase esperada para mim, para receber um papel que certifica que eu sou capaz de trabalhar. Mas eu digo que sou humana, sou uma pensadora, uma aventureira - não uma trabalhadora. Um trabalhador é alguém que está preso na repetição - um escravo do sistema criado antes dele. Mas agora, eu mostrei com sucesso que me tornei a melhor escrava. Eu fiz o que me mandaram, ao extremo. Enquanto outros sentavam na aula e desenhavam para mais tarde se tornarem grandes artistas, eu sentava na aula para anotar coisas e me tornar uma grande fazedora de testes. Enquanto outros iam para a aula sem ter feito o dever de casa porque estavam lendo coisas que interessavam a eles, eu nunca deixava de fazer um dever. Enquanto outros criavam músicas, eu fazia aula extra, apesar de nem precisar disso. Então, eu me pergunto, por que eu quero essa posição? Claro, eu mereço, mas o que eu realmente ganho com isso? Quando eu deixar a instituição de ensino, terei sucesso ou estarei perdida para sempre? Eu não faço ideia do que quero fazer da vida; Eu não tenho nenhum interesse porque eu vi todas as matérias da escola como trabalho, e eu fui excelente em todas só para dizer que sou excelente, e não para aprender. E sinceramente, agora estou assustada. 
John Taylor Gatto, um professor aposentado e ativista que critica o estudo compulsivo, disse, “Nós poderiamos encorajar as melhores qualidades dos jovens - curiosidade, aventura, flexibilidade - e dar a cada estudante a liberdade de se arriscar e seguir o que realmente gosta. Mas não fazemos isso.” Aqui esperam que sejamos todos iguais. Somos treinados para triunfar em todos os testes, e os que encontram luz em um caminho diferente são vistos como inúteis e inferiores.
H. K. Mencken escreveu no The American Mercury de Abril de 1924 que o objetivo das escolas não é encher os jovens com conhecimento e consciência… O que ele disse não é mais que a verdade. O objetivo é simplesmente reduzir os indivíduos ao mesmo nível, criar e treinar cidadãos iguais, e tirar a originalidade e o senso crítico. 
Na escola nós processamos informações e formamos uma opinião. Mas se não somos críticos quando processamos essas informações, será que estamos mesmo pensando? Ou estamos aceitando cegamente outras opiniões como verdadeiras?
Isso estava acontecendo comigo, e se não fosse a ajuda de uma professora, Donna Bryan, que me permitiu abrir a mente e questionar as informações antes de aceitá-las, eu estaria condenada. Agora me sinto iluminada, mas minha mente ainda se sente incapaz. Preciso me treinar e lembrar sempre que esse é um lugar insano que finge ser sano.
E agora aqui estou em um mundo guiado pelo medo, um mundo reprimindo a originalidade que existe em cada um de nós, em que nós temos que escolher entre nos sujeitar às idiotices desumanas dos corporativos e materalistas, ou insistir em mudar. Nós não estamos felizes em um sistema educacional que nos leva a empregos que não precisam mais existir, a escravidão sem um significado real. Nós não temos escolhas na vida quando o dinheiro é nossa motivação. Nossa força motivacional deveria ser a paixão, mas perdemos isso quando entramos num sistema que nos treina ao invés de nos inspirar. 
Nós somos mais que robôs, condicionados a memorizar fatos que aprendemos na escola. Nós somos todos muito especiais, cada humano nesse planeta é tão especial, que merece algo melhor: usar nossas mentes para inovar e não para memorizar, para a criatividade ao invés de futilidades, para progredir ao invés de repetir. Nós não estamos aqui para se formar, e depois conseguir um trabalho, para podermos consumir muitos produtos industrializados. Existe muito mais do que isso.
A parte mais triste é que a maioria dos estudantes não tem a oportunidade de refletir como eu tive. A maioria dos estudantes passam pela mesma lavagem cerebral para virarem escravos que trabalham para os interesses de grandes corporações e governos, e o pior de tudo, sem nem ter consciência disso. Eu nunca poderei voltar esses meus 18 anos. Não posso fugir para outro país que tem uma educação que conscientiza ao invés de escravizar. Essa parte da minha vida acabou, e eu quero ter certeza de que nenhuma outra criança terá seu potencial destruído por poderosos que querem explorá-la e controlá-la. Somos seres humanos. Somos pensadores, sonhadores, exploradores, artistas, escritores, engenheiros. Somos tudo que queremos ser - mas só se tivermos uma educação que nos apoia ao invés de nos rebaixar. Uma árvore só pode crescer se suas raízes forem bem tratadas. 
Para vocês que continuam sentando em escritórios e controlados por ideologias autoritárias, não percam suas paixões. Vocês ainda tem a oportunidade de se levantar, questionar, serem críticos, e criar suas próprias perspectivas. Siga algo que permita a você expandir sua mente ao invés de limitá-la. 
Exija estudar algo que te interessa na aula. Exija que a desculpa, “Você precisa aprender isso para o teste” não é boa o bastante para você. Educação é uma ferramenta, excelente, mas se foque mais em aprender do que tirar notas altas. 
Para vocês que trabalham no sistema que estou criticando, saibam que não quero ofender; eu quero motivar. Vocês tem a capacidade de mudar as injustiças desse sistema. Os professores não podem aceitar a autoridade do governo que diz o que ensinar, como ensinar, e que se você não obedecer será punido. Nosso potencial está em risco. 
Para vocês que estão deixando esse lugar, eu digo, não esqueçam o que viram nas salas de aula. Não abandonem os que vieram até vocês. Nós somos o novo futuro e não podemos ser controlados pela tradição. Nós vamos destruir as paredes da corrupção para deixarmos um jardim de conhecimento crescer. Quando educados propriamente, nós teremos o poder de fazer de tudo, e melhor, só usaremos esse poder para o bem, porque seremos cultos e sábios. Nós não aceitaremos nada sem antes questionar e exigir a verdade. 
Então aqui estou eu. Não estou aqui sozinha. Fui moldada pelo meu ambiente, por todos os meus colegas que estão presentes aqui. Eu não conseguiria chegar aqui sem vocês. Foram vocês que me fizeram ser quem sou hoje. Vocês que foram minha competição, mas ao mesmo tempo a minha força. Dessa forma, somos todos vencedores.
Agora eu deveria me despedir dessa instituição, aqueles que a mantem, e aqueles que estão sentados aqui, mas eu espero que essa despedida seja mais como um “vejo vocês mais tarde” quando estivermos todos trabalhando juntos para construir um novo sistema. Mas primeiro, vamos pegar aqueles pedaços de papel dizendo que somos inteligentes o bastante para fazer isso!


Vi aqui
-mandy

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